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Escritor Alexandre Parafita deu palestra/debate sobre “Cultura Popular e Património Imaterial: Onde Moram as Lendas?” na Casa das Artes arcuense

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22 Abril 2010

Na passada segunda-feira, dia 19 de Abril, o escritor Alexandre Parafita, natural de Sabrosa e Doutorado em Cultura Portuguesa e Mestre em Ciências da Comunicação, deu, no âmbito da Semana da Leitura que decorre em Arcos de Valdevez até ao próximo dia 24 de Abril, uma palestra sobre "Cultura Popular e Património Imaterial: Onde Moram as Lendas?" na Casa das Artes concelhia.

Este nome de destaque da literatura portuguesa, cuja obra está incluída no Plano Nacional de Leitura, integra manuais escolares de vários níveis de ensino e é bibliografia obrigatória em cursos de licenciatura e mestrado em escolas superiores e universidades, debruçou-se, entre outros, sobre o lendário popular, provérbios, ditos populares, motejos, adivinhas, lengalengas, rimas de jogos, trocadilhos e trava-línguas, réplicas populares, orações, rezas ou responsos, fórmulas de superstição, agouros ou profecias, pragas ou maldições, galanteios, orações com escárnio, pregões, pulhas, assim como fórmulas de fim de conto. Expressões que, para o autor, têm tanta importância como o património construído e se devem preservar, pois segundo o mesmo, "Além do património visível, há o património imaterial. O da memória. E esse vai-se perdendo conforme as pessoas vão desaparecendo".

Durante mais de uma hora, Alexandre explicou que "devemos preservar o apelo às nossas raízes, para que os jovens se venham a identificar com elas", por isso, é de extrema importância que os lugares e as lendas perdurem e sejam preservadas - "se uma gruta tem uma lenda, devemos fazer com que ela perdure no tempo" porque se elas existem "deve-se ao facto de ter sido a forma encontrada pelo povo, para explicar alguns fenómenos naturais e culturais".

Relativamente aos contos tradicionais adiantou que se deve manter a sua matriz, já que em cada uma "estão elementos de cada povo". Ele ajuda-nos a perceber diversas expressões utilizadas no nosso dia-a-dia como por exemplo "quem tem capa sempre escapa e quem não tem escapa também!" ou "quem não te conhecer que te compre!". Segundo o mesmo, o conto funciona ainda "como um estímulo para a criança e é por isso que é valioso".

Em suma, as lendas e contos populares são para o autor elementos cruciais da história de cada povo, explicando muitos momentos das suas vidas.

Assim, porque despertou para esta temática, trabalha como investigador do Centro de Tradições Populares Portuguesas da Universidade de Lisboa, nas áreas da mitologia e da literatura oral tradicional, tendo vindo a realizar estudos e pesquisas que lhe permitiram resgatar mais de um milhar de textos inéditos em risco de se perderem na memória oral, e, actualmente, faz parte da equipa de investigação incumbida de realizar o "Arquivo e Catálogo do Corpus Lendário Português", no âmbito da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

Com vasto currículo, a sua formação académica passou pela ex-Escola do Magistério Primário de Vila Real, pela Escola Superior de Jornalismo do Porto, pela Universidade de Coimbra, pela Universidade da Beira Interior (UBI) e pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

Tem ainda experiência como jornalista, docente, investigador e ensaísta, e integra os quadros da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde é responsável pelo Sector de Comunicação Institucional, sendo ainda vice-presidente do Observatório da Literatura Infanto-Juvenil (OBLIJ).

Município de Arcos de Valdevez
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