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Abriu ontem ao público a XXI Feira do Livro de Arcos de Valdevez
Foram muitos os que acorreram à carpa montada no Campo de Trasladário, especificamente instalada para o evento, para, neste dia de inauguração, ver as novidades literárias disponíveis e ainda assistir à apresentação do Livro "Contos do Efémero", de Rui Sousa Basto, e à actuação da banda "Six Stringed Lazy Boy".
Durante 5 dias a Feira do Livro arcuense trará a público muita literatura, música e dança, bem como animação para os mais pequenos.
Abriu ontem, 27 de Julho, ao público a XXI Feira do Livro de Arcos de Valdevez, certame que já habituou os arcuenses e seus visitantes a um programa culturalmente vasto, no qual se aliam várias vertentes da Arte.
Na abertura da iniciativa deste ano, além de ter tido a oportunidade de folhear, consultar e comprar a panóplia de exemplares literários disponíveis na exposição, o público também assistiu à apresentação do livro "Contos do Efémero", de Rui Sousa Basto e ouviu a música do projecto "Six Stringed Lazy Boy".
Francisco Araújo, Presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, fez as honras da casa ao inaugurar oficialmente o certame, enaltecendo a importância da iniciativa que contribui fortemente para o enriquecimento cultural da população. " A apresentação dos livros, a interacção com os próprios autores e o facto de se entrar em contacto com os livros, são actos muito importantes", disse, avançando também que a Câmara Municipal tem "tido a preocupação de fazer a divulgação do livro e da leitura de diversas formas, entre as quais se encontra a dinamização das Bibliotecas Escolares, acção que faz com que se consiga despertar nos jovens o interesse pelo livro e pela sua descoberta".
Agradecendo a participação de todas as editoras presentes e a todos os que contribuíram para a realização de mais uma Feira do Livro em Arcos de Valdevez, o autarca fez votos de que este espaço "seja ao longo dos dias um espaço de procura e que possibilite levar à população a leitura e várias questões ligadas à Cultura". "Queremos que a Cultura em Arcos de Valdevez se afirme cada vez mais", avançou.
Após a intervenção do Presidente da Câmara Municipal foi dada a palavra a Fátima Gomes, amiga do autor Rui Sousa Basto eleita para fazer a apresentação do seu recente trabalho, "Contos do Efémero".
Fátima começou por dizer que apesar de Rui ser novo no mundo na escrita, teve a sua estreia este ano, "o talento não nasce tardiamente. Ele existe ou não, e, 2011 será certamente um ano marcante para Rui, pois a sua urgência de escrita fez com que publicasse um livro de poesia e logo de seguida um livro de Contos".
A obra apresentada é composta por 30 micro contos. Pequenos contos que Fátima caracterizou de "curtos mas profundos naquilo que expressam e trazem de mensagem, sendo a sua potencialidade o facto de falarem da tragicidade da vida de modo jocoso e de, com muito pouco, nos conseguirem fazer pensar muito."
Acerca das temáticas, disse serem compostos por temas como a paranóia, a violência doméstica, a crítica política, ou o Divino e em relação ao seu modo de escrever afirmou que o autor "é um bom leitor e observador do traço humano e talvez seja isso que faz com que ele seja tão bom escritor...Ele inadvertidamente explora. Explora as capacidades do hipertexto, faz relações com textos que estão no nosso imaginário cultural e na nossa memória", disse, dando como exemplo desta especificidade o conto "Génesis".
Disse também que a sua escrita tem um traço que vem do século XIX por conter "chaves de ouro", fins imprevistos que captam o leitor.
Nesta obra, em 30 contos 13 contemplam mortes, aspecto que motivou Fátima Gomes, em jeito de brincadeira, a chamar ao autor de "Serial Killer da literatura". "Ele fartou-se de matar gente nesta obra!" exclamou, dizendo também que a morte é apresentada, mas de forma subtil e muitas vezes em tom irónico e brincalhão, sendo exemplo disso o conto "O editor".
Já em relação a este aspecto Rui Sousa Basto explicou que fala muitas vezes na morte, mas de forma involuntária. "Sem me aperceber escrevi 30 contos e só depois é que me apercebi que em 13 deles matei gente. Vejo a morte de forma natural e a vida de forma científica. Olho para nós como um conjunto de matéria que nasce e morre", disse.
O autor atirou também que escreve porque lhe dá prazer, porque gosta muito de ler e porque se por acaso vir os seus trabalhos publicados sentirá ainda mais prazer.
As suas ideias surgem pensando, com trabalho e com situações do dia-a-dia e tenta que as histórias tenham um fim imprevisível e com humor porque gosta muito de se rir e que os outros se riam.
Em jeito de conclusão referiu que "Muitas vezes as interpretações que as pessoas fazem dos contos ultrapassam aquilo que eu pensei fazer. É isso que é extraordinário e se isso acontecer com todos eles ficarei extremamente contente".
No fim desta apresentação, o público presente teve a oportunidade de ouvir os "Six stringed lazy boy & the lazy friends", banda composta pelos músicos Eduardo Bouças, Miguel Fernandes e Ricardo Rocha que já tem dado mostras de qualidade em diversos espectáculos realizados pelo Norte do País.
Hoje a feira do Livro abre às 14h00 e pelas 21h30 decorrerá a apresentação do livro "Os passos da Glória", de Manuel de Queiroz. Já pelas 22h30 actuará o grupo musical "Os Gomes". Projecto que nasce da vontade de pai e filho encetarem um conjunto de criações musicais próprias, e que se traduziu no CD "Os Gomes". Assente em originais, este trabalho retrata um pouco da capacidade criativa e da vontade de levar mais longe a concertina "minhota". Neste espectáculo, contam com alguns convidados que potenciarão o projecto base.
