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- Manuel de Queiroz, prémio ''P.E.N. Clube de primeira obra'', apresentou na Feira do Livro arcuense ''Passos da Glória''
Manuel de Queiroz, prémio ''P.E.N. Clube de primeira obra'', apresentou na Feira do Livro arcuense ''Passos da Glória''
Obra encontra-se profundamente ligada a Arcos de Valdevez por remeter para o Paço da Glória - um edifício histórico de grande importância para o concelho.
Ontem a Feira do Livro arcuense abriu as portas para receber a apresentação do Livro "Passos da Glória", de Manuel de Queiroz. Um título que fala sobre Portugal num determinado período histórico, fins do sec.XIX, princípios do Sec.XX, e remete para a Região Minho, em particular para Arcos de Valdevez.
Contando com um currículo bastante rico na área da literatura, este arquitecto natural do Porto, assumiu que desde o início da sua actividade como escritor quis escrever o romance agora apresentado em Arcos de Valdevez e publicado já em 2008.
Fascinado pela figura do seu tio-avô, Aleixo de Queiroz Ribeiro, personagem central da obra, do qual lhe contavam histórias fantásticas, algumas vezes fantasiadas, e em torno do qual também se criaram muitas lendas e fábulas, - Aleixo foi um escultor português com um percurso profissional e pessoal notável, no fim do Séc. XIX, princípios do Sec. XX, dividido entre lugares tão distintos como Paris, Lisboa, Sófia, Adis Abeba, Chicago, Filadélfia ou Nova Iorque - empenhou-se em reunir todo o tipo de informação sobre a sua vida através de diversas fontes, como jornais da época, catálogos, arquivos fotográficos, artigos, ensaios, testemunhos pessoais, entre outros, para contar a sua história.
Conforme disse "este romance, não sendo histórico, baseia-se em personagens e factos reais, investigados e escrutinados até ao limite do possível". A partir dos factos inventou tudo o que vai além deles, nomeadamente as relações com as pessoas, os pensamentos e os afectos. "Tirei partido das pessoas com que ele se encontrou, ao longo da vida, como Rodin, Puech, Saint-Gaudens ou Eça de Queiroz, para criar capítulos", referiu.
Em suma, segundo o autor, Os Passos da Glória, uma obra bastante aclamada pela crítica, trata-se de um "romance biográfico ou biografia ficcional, que conta a história aventurosa de Aleixo de Queiroz Ribeiro, Conde de Santa Eulália, um escultor português pouco conhecido do grande público, mas com um percurso profissional e pessoal notável, dividido entre a Europa e a América. Centrada nesta figura culta e cosmopolita, a narrativa visita momentos cruciais da sua vida e obra: os seus anos de formação em Paris, em finais do século XIX, onde se cruza com grandes nomes da escultura - como Rodin, Puech ou Saint-Gaudens - e da literatura - como Eça de Queiroz ou Emile Zola; a sua breve e polémica passagem por Lisboa, onde encontra figuras tão díspares como Fialho de Almeida, o Duque de Palmela ou o próprio Rei D. Carlos; a sua ida para os Estados Unidos, o consulado em Chicago e o seu badalado casamento em Filadélfia com um dos partidos mais cobiçados da América - a viúva do multimilionário e filantropo John. B. Stetson, dono da maior e mais famosa fábrica de chapéus do mundo; e, por fim, mas não menos importantes, as alegrias e as penas inerentes ao processo criativo. (...) este romance dramatiza de forma exemplar os conflitos e as contradições de um homem carismático, controverso e mal compreendido, ao mesmo tempo que traça o retrato de uma época tão rica em acontecimentos históricos, como a que vai do ultimatum inglês até à primeira guerra mundial, passando pela queda da monarquia e os pelos primeiros anos da república."
Após esta apresentação teve lugar a actuação do grupo musical "Os Gomes" que "chamou" até ao Campo do Trasladário algumas centenas de pessoas. Hoje, 29 de Julho, a programação da XXI Feira do Livro de Arcos de Valdevez prossegue com a Animação da leitura: "Cantinho Da Pequenada" das 15h30 às 18h00 e das 21h30 às 23h00; a apresentação do CD-Livro "Conta a Canção", de Miguel Fernandes pelas, 21h30, e ainda a actuação musical do grupo Miguel Fernandes e Amigos, pelas 22h30. Projecto musical arcuense, de base informal, que reflecte sensibilidades distintas e abordagens muito pessoais do universo musical de cada um dos "performers". Espaço para cruzar várias "avenidas" musicais, géneros e perspectivas.

