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- ''Brumas'' - Albertina Fernandes apresentou o seu mais recente trabalho na Casa das Artes concelhia
''Brumas'' - Albertina Fernandes apresentou o seu mais recente trabalho na Casa das Artes concelhia
Depois de "Palavras de Avó", em 2009, e de "O Papa Cogumelos" e "Rimalândia", em 2010, a arcuense Albertina Fernandes veio, no passado domingo, 8 de Maio, à Casa das Artes concelhia apresentar "Brumas", o seu terceiro trabalho que contou com as ilustrações do amigo e também arcuense Henrique Ribeiro - artista multifacetado, cujo trabalho se alarga à pintura sobre tela, tecido e vidro, tapeçaria, restauro de móveis e peças antigas.
"Brumas" distingue-se dos outros trabalhos da autora, por ser um conjunto de 11 contos, seguidos por uma narrativa mais longa, dirigido a adultos.
Carlos Vidal, amigo de longa data de Albertina, descreveu-o na apresentação como sendo "um livro pequeno em extensão mas grande em qualidade e rico em sentidos" e, mais à frente, avançou tratar-se "de um livro que fala sobre a solidão, os maus-tratos, a emigração, a velhice, a agressão sexual, os costumes e as tradições, sendo que o que faz com estas histórias não fiquem como tópicos é o tratamento que a autora faz delas (...) Dele sobressai uma linguagem pouco convencional, o que dá também origem a um final original. (...) É possuidor de uma prosa ágil e definida e de um vocabulário rico, brilhante e cheio de matizes.
Aborda aspectos da vida rústica através de personagens muito características de localidades do Alto Minho. Tão brumosos quanto românticos, os contos chegam a revelar até uma linguagem imprópria - aparentemente natural nos populares - e sempre em contraste com a erudita. Prendem-nos pela proximidade às nossas vidas, traduzindo afinal o universo português.
No fundo, é o reflexo de uma realidade que a Albertina recria através do seu imenso universo pessoal".
Albertina Fernandes mostrou-se bastante sensibilizada com as palavras proferidas pelos seus amigos Henrique Ribeiro e Carlos Vidal acerca do seu trabalho e ainda com a surpresa realizada pela sua irmã, Margarida Dias, e pelo seu filho, Miguel Fernandes, que através da música e a leitura de excertos do seu trabalho aguçaram a curiosidade dos presentes sobre a sua obra.
Relativamente a "Brumas" disse que para o criar se inspirou na vida e no seu universo circundante e que todas as histórias relatadas nele têm "verdades verdadeiras, mas adulteradas".
"Cada escritor deixa nos seus textos um bocado do seu íntimo e projecta nas suas personagens aquilo que não consegue assumir como sendo seu", admitiu alertando também para o facto de cada conto ser contado por pessoas que todos os dias se cruzam com a maioria dos presentes na sala.
Em jeito de conclusão avançou que com este livro "quis pensar numa leitura em contraponto e numa forma de fazer uma leitura do outro lado da "Bruma".
Tal como já vem sendo hábito, o município irá adquirir alguns exemplares para distribuir pelas Escolas dos Agrupamentos do concelho e Biblioteca Municipal.


