Passar para o Conteúdo Principal
Facebook Instagram Twitter Youtube Linkedin RSS
Câmara Municipal de Arcos de Valdevez

''Conferências Por Vez'' trouxeram a Arcos de Valdevez Eng.º Mira Amaral

14 Dezembro 2011
Município de Arcos de Valdevez

"O Futuro de Portugal no contexto do Euro" foi a temática escolhida para a estreia deste ciclo de conferências que se pretende ser trimestral.

Mira Amaral avançou com vários cenários possíveis para Portugal e alertou para o facto das medidas de austeridade apresentadas pelo Governo serem "peanuts", comparado com a possibilidade de se voltar ao escudo. "O poder de compra vai ser muito inferior com o escudo do que com o euro devido à desvalorização da moeda", disse.

Teve início no passado dia 12 de Dezembro, na Casa das Artes concelhia o ciclo de "Conferências Por Vez". Uma iniciativa que o município pretende levar a cabo trimestralmente com objetivo de trazer a lume temas da atualidade, cuja envolvência e interesse abarquem uma franja dilatada da comunidade.

Francisco de Araújo, presidente da autarquia, justificando o convite realizado a Mira Amaral e explicando o propósito destas conferências avançou que "para o efeito deseja-se a participação, de personalidades que pelo seu conhecimento, experiência e reconhecimento público assegurem a qualidade das comunicações a efetuar, despertando o interesse dos meios políticos, económicos, sociais e culturais da nossa sociedade, tendo em atenção os temas em debate, sendo, por isso, uma honra iniciar este ciclo de conferências com o Eng.º Mira Amaral". 

Adiantou ainda que existe uma preocupação com o "futuro coletivo, pelo que desejamos pensar no presente a melhor forma de agir e decidir, assim como questionarmo-nos sobre as nossas dúvidas e incertezas quanto ao futuro".

Esta primeira conferência não poderia ter decorrido da melhor forma, já que Mira Amaral, fazendo jus ao dom da palavra que o assiste, explicou de forma breve e clara as diferentes fases de constituição da União Europeia e expôs algumas razões que estão a levar alguns dos países membros a pedir ajuda externa, caso de Portugal.

Mediante o cenário de crise que assombra a Europa, e debruçando-se mais especificamente no caso português, avançou que com a entrada na União europeia e a criação da moeda única "gastamos mais do que devíamos e agora estamos a fazer uma aterragem dramática. Não tínhamos salários reais em relação à produtividade existente. As medidas de austeridade implementadas pelo atual Governo são "peanuts" em relação à possibilidade de se voltar ao escudo, pois concretizando-se este cenário o poder de compra cairá drasticamente".

Mira Amaral deixou em aberto três cenários para a zona euro:

  1. A Alemanha "farta-se" e sai do euro. Se tal acontecesse, levaria com ela países como a Holanda, a Finlândia e a Áustria. Fariam um novo euro.
  2. Na sequência dos dramáticos ajustamentos, há pulsões populistas e nós, gregos ou espanhóis queremos sair do euro, julgando que nos safamos com a desvalorização. A zona euro reconstitui-se à volta da velha zona marco (Alemanha+Benelux), talvez com a França e novos aderentes. Será um euro mais germanizado, sem o "Med Club".
  3. Refundação do euro com avanços no federalismo económico, fiscal e orçamental (o que nos imporá um grande rigor nas finanças publicas) e mecanismos de gestão de crises com cláusulas de reestruturação de dívidas públicas.

Estas foram visões que geraram um debate saudável e enriqueceram quem conseguiu estar presente. As conferencias ficarão registadas num volume que compile as quatro intervenções anuais distribuídas trimestralmente, permitindo, deste modo, uma perpetuação e uma memória efetiva dos temas e das personagens que os abordam.

 

Conteúdo atualizado em9 de abril de 2025às 14:24
Partilhar
Top