Escritora arcuense Eugénia Brito apresentou na Casa das Artes Concelhia ''Zapping sobre as madrugadas idênticas''
Obra foi a grande vencedora do Prémio Literário "Cidade de Almada" de 2010, tendo sido eleita, entre as 73 a concurso, pelo júri constituído por representantes da Associação Portuguesa de Escritores, Associação Portuguesa dos Críticos Literários e a Câmara Municipal de Almada.
No passado domingo, dia 1 de Maio, a escritora arcuense Eugénia Brito apresentou na Casa das Artes concelhia a sua mais recente obra, vencedora do Prémio Literário "Cidade de Almada" 2010, "Zapping sobre as madrugadas idênticas".
Maria Armandina Maia, membro do júri que elegeu o livro como o melhor, entre os 73 a concurso, esteve presente para falar da obra e avançou, em tom de brincadeira, que apesar da fraca apresentação com a qual foi colocada a concurso ("este livro distinguiu-se das restantes obras porque vinha muito mal apresentado, com um conjunto de folhas mal amanhadas, sem capa e título", afirmou) a escrita de Eugénia "falou mais alto". "Para mim escrever bem não é escrever muito...A Eugénia tem génio e tem talento. Ela escreve aquilo que eu gostava que as pessoas escrevessem (...) Este livro é um tratado sobre a infância e a morte e, de certa forma, pertence-me porque nasce de uma ferida que conheço muito bem e que os emigrantes conhecem para sempre a partir do momento em que saem do País", disse com conhecimento de causa devido ao facto de já ter morado na França, Bélgica, Inglaterra, Suécia e Itália.
Segundo a mesma, o livro relata uma história que tem de ser descoberta por cada um dos leitores, por existirem nele várias leituras.
"Zapping sobre as madrugadas idênticas" é uma narrativa com várias histórias justapostas e intercaladas, por isso não se sintam mal por acharem que o livro proporciona uma leitura difícil", disse aos presentes em jeito de aviso.
Segundo Eugénia, o tema do livro (iniciado no ano de 2003, numa altura menos boa da vida da escritora) é o sofrimento. "É um texto profundamente triste em muitas passagens, mas onde se encontra sempre um escape", avançou.
Em relação ao título referiu tratar-se de um "zapping" porque possui capítulos pequenos, nos quais existe uma constante alternância cronológica."Um vai e vem", conforme diz.
Referindo-se ao prémio literário "Cidade de Almada" Eugénia disse estar agora num outro nível pois com ele ganhou a responsabilidade de "ser autor e fazer leitores e ainda de os multiplicar".
O livro cruza a vida de várias personagens e diferentes gerações e tem como mote a lendária bailarina espiã Mata Hari, acusada de agente dupla para a Alemanha e para a França durante a I Guerra Mundial e condenada. A obra é uma reflexão sobre a vida, a morte e o amor. É uma divagação sobre a própria escrita.
"Zapping sobre as madrugadas idênticas" é o terceiro livro de Eugénia Brito. O primeiro foi o romance epistolar "Carne Torpe", publicado em 2002 e o segundo, com o título "Fecha a porta devagar", foi publicado em 2008 (edição Atelier de produção editorial).




