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Câmara Municipal de Arcos de Valdevez

Declaração de Voto dos Vereadores do Partido Social Democrata

21 Dezembro 2009

O ano de 2009 caracterizou-se por dificuldades económicas a nível global, com génese na crise financeira internacional, desencadeada pelo «sub-prime» e também derivada do aumento generalizado dos preços das matérias-primas que viram o seu pico no quarto trimestre de 2008. Perante este cenário, a Autarquia concentrou os seus esforços nos projectos que mais poderiam alavancar a materialização de obras de interesse para o Concelho, nomeadamente através de projectos comparticipados por fundos comunitários.

Com esta estratégia foi possível desenvolver de forma eficaz aquilo a que nos tínhamos proposto em sede de orçamento, estando neste momento em condições de perspectivar encerrar o presente exercício com uma execução global próxima dos 31 milhões de euros, ou seja, cerca de 86% do orçamento.

Esta dinâmica dá-nos assim confiança para encarar de forma corajosa o ano que se avizinha, não obstante os tempos de dificuldades que o país atravessa, em grande parte resultado do descontrolo das contas públicas. Estas dificuldades aconselham a definição de um orçamento prudente e globalmente mais contido que o anterior, de modo a prevenir eventuais restrições orçamentais, emanadas do Governo, que venham a afectar as autarquias locais. Assim, é neste contexto que o Município apresenta um orçamento para 2010 no valor de 34.978.100 €, 2,4% abaixo do apresentado para 2009.

Este orçamento encerra em si mesmo uma opção política basilar, que tem norteado a estratégia do Município nos últimos anos, tendo em vista garantir a maior fatia dos recursos municipais ao desenvolvimento da actividade de investimento, quer directamente quer indirectamente, neste caso, recorrendo a parecerias que têm sido profícuas com as Juntas de Freguesia e com as Associações e outras Instituições do Concelho.

Para 2010 serão por isso alocados 70% dos recursos para a realização de despesas de capital, absorvendo as despesas de natureza corrente apenas 30% do orçamento em apreço. Tendo perspectivada uma aposta na qualidade do serviço prestado ao munícipe, de que é exemplo a certificação de qualidade de todos os Serviços Municipais, o presente orçamento integra um aumento da despesa corrente para 10,6 milhões de euros.

Este aumento traduz o incremento das despesas, quer com o pessoal não docente, quer com os custos associados à gestão do parque escolar, ambos, resultado da transferência de competências no âmbito do ensino básico, concentrando-se maioritariamente nos centros escolares de Távora (Sta. Maria), do Dr. Manuel Brandão em Sabadim e da EB1 da Sede do Concelho. O orçamento canaliza ainda recursos para a despesa corrente, com vista ao reforço do serviço prestado em termos de fornecimento de água, saneamento, recolha e tratamento de resíduos sólidos, assim como a realização de actividades imateriais nas áreas da cultura, do turismo e da acção social. Nos últimos anos, o investimento levado a cabo na construção de equipamentos municipais teve em vista a prossecução da sua finalidade, que se prendia com a dinamização desses espaços em prol da comunidade.

O orçamento em análise consubstancia ainda assim um aumento das receitas correntes que acomoda a despesa adicional a realizar em algumas áreas, de tal forma que será possível transferir parte substancial das receitas correntes para a materialização de investimentos e outras despesas de capital consideradas prioritárias para o desenvolvimento sócio-económico do Concelho.

A principal fonte de receitas do orçamento continua a ser a transferência de verbas da Administração Central, financiando 39% do total, seguindo-se os Fundos Comunitários que representam 33% da receita total, e dá conta da perspectiva que a Autarquia tem em conseguir angariar uma importante fatia de recursos ao abrigo do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).

Tendo definido os investimentos prioritários para o Concelho e perspectivando-se a obtenção de financiamento comunitário para grande parte dos mesmos, alocou-se neste orçamento um valor de 20,7 milhões de euros para despesas de investimento, ou seja, perto de 60% do total.

Entre os vários projectos previstos desenvolver ao longo do próximo ano, cremos merecerem destaque os seguintes:

- Recuperação e Adaptação do Edifício da Antiga Biblioteca para criação do futuro Centro de Protecção Civil Municipal

- Projectos da área informática visando a centralização e gestão electrónica das compras e de arquivamento de processos (E-Compras e E-Arquivos, respectivamente)

- A criação de um sistema de informação geográfica, designado por InfoGeo Valimar, que sirva as áreas do Planeamento e Urbanismo, assim como os sectores ligados às infra-estruturas municipais

- A elaboração do projecto para a construção de um Parque Urbano Municipal nos terrenos do Paço de Giela

- A recuperação e adaptação de um edifício sito na Praça Municipal, já adquirido, com vista a localizar lá o futuro Arquivo Municipal

- Requalificação do Pavilhão Gimno-Desportivo da EB 2/3, S

- Arranque do projecto de construção do novo Pavilhão Desportivo a situar-se na Zona Desportiva Municipal

- A construção de uma Piscina Exterior junto ao Complexo das Piscinas Municipais

- Dotação de algumas associações desportivas do Concelho de campos de futebol em relvado sintético de última geração

- Continuação da expansão da rede viária nas freguesias, alterando contudo, de forma paulatina, o paradigma dos investimentos ao nível da rede viária, a qual vai justificando cada vez mais uma preocupação com a sinalização, manutenção e limpeza e menos com o aumento do número de quilómetros asfaltados

- Investimento de carácter ambiental, destinado à criação de um Jardim Botânico no Concelho

- Caminho de Ligação da Lamela à EN 202 – Giela

- Construção de uma rotunda e requalificação do espaço envolvente na Rua Dr. Joaquim Carlos da Cunha Cerqueira, nas imediações da Escola Profissional (Epralima)

- Reabilitação das Pontes de S. Sebastião em Cabreiro e Centenária da Vila de Arcos de Valdevez

- Ampliação do Parque Empresarial de Padreiro, visando criar as condições para a localização de novas iniciativas empresariais geradoras de emprego e riqueza para o Concelho

- Execução da 2ª Fase do Centro de Incubação de Empresas, envolvendo nomeadamente os arranjos exteriores, a instalação de um sistema de produção de energia fotovoltaica, com vista à sua auto-suficiência energética e ainda a instalação de um sistema de comunicação e segurança

- Colocação de reguladores de fluxo luminoso em parte da rede de iluminação pública, assim como painéis solares no Edifício das Piscinas, com vista ao aumento da eficiência energética

- Renovação das instalações do Mercado Municipal, tornando-o mais agradável e funcional, face à importância que o mesmo tem na economia e hábitos sociais locais

- Construção de uma Creche no parque Empresarial de Padreiro, dando uma resposta simultaneamente social e económica e criando uma vantagem competitiva para essa área empresarial

- Aquisição do Castelo de Sistelo, visando a preservação do património histórico e a sua adaptação para Centro Comunitário

- Regeneração Urbana, envolvendo intervenções ao nível da Requalificação da EN 202 entre a Rotunda da Ponte Nova e Guilhadeses, a Ligação da EN 101 à Avenida António Caldas e a Requalificação Urbana e Reorganização Funcional do Miolo de Quarteirão junto à Igreja da Misericórdia

- Ligação de Parada a Vila Fonche, entre a EN 101 e a EN 303

O Orçamento e Grandes Opções do Plano para 2010 têm subjacente a aposta numa maior eficiência, procurando produzir os serviços que prestamos aos Munícipes, ao mais baixo custo. A Autarquia deverá funcionar como motor de desenvolvimento do Concelho e nunca constituir-se como entrave a esse desenvolvimento. No quadro das Grandes Opções do Plano para 2010, a Autarquia propõe alargar o âmbito das medidas de competitividade fiscal do Concelho.

É neste contexto que o Município tomou um conjunto de medidas incentivadoras da economia local. Assim, decidiu a não aplicação da taxa de derrama às actividades que estão sujeitas ao pagamento do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRC). Igualmente, concedeu-se a bonificação de 2% a todos os Arcuenses que estão sujeitos ao pagamento do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS).

Foi tomada a decisão de isentar do Imposto Municipal sobre Transmissões onerosa de imóveis (IMT), no ano de 2010, todas as aquisições de habitação própria e permanente efectuada por jovens até aos 35 anos. Estão também isentas do pagamento de taxas de licenciamento, todas as construções de unidades fabris, para a criação de emprego, realizadas nos Parques Empresariais. Foi criada através do programa Arcos Finicia uma linha de apoio financeiro para pequenas iniciativas empresariais, visando a dinamização económica concelhia.

A estas medidas de apoio à iniciativa empresarial acresce a bonificação da taxa do IRC que em Arcos de Valdevez tem uma redução de dez pontos percentuais, cifrando-se o imposto apenas em 15%. No que concerne às taxas de ligação de água e saneamento, vigora até Outubro de 2010 a bonificação de 50% de desconto para todos os Munícipes que pretenderem efectuar a respectiva ligação. Isentou-se de taxa de ocupação ou terrado, todas as esplanadas de estabelecimentos comerciais que estivessem abertas ao fim de semana. Numa perspectiva de cariz social, congelaram-se os valores das rendas das habitações sociais.

Cremos que o presente Orçamento e Grandes Opções do plano vão de encontro a uma estratégia clara de maior qualidade e eficiência, ao mesmo tempo que consegue, aproveitando o recurso aos fundos do QREN, materializar um número apreciável de investimentos que ajudarão a transformar o Concelho, quer a nível económico, quer, social, cultural e ambiental, pelo que votamos favoravelmente este documentos.

Arcos de Valdevez, 18 de Dezembro de 2009

Os Vereadores do Partido Social Democrata

Município de Arcos de Valdevez
Conteúdo atualizado em1 de junho de 2017às 16:05
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