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Novo ano hidrológico - recomendações

03 Novembro 2010

O mês de Outubro, caracterizado pela altura do ano em que as reservas hídricas atingem o seu mínimo e em que o período mais chuvoso se inicia, representa o início de um novo ano hidrológico.

Efeitos Expectáveis

  1. Inundações em zonas urbanas, causadas por acumulação de águas pluviais;
  2. Cheias motivadas pelo transbordo do leito de alguns rios;
  3. instabilização de taludes ou movimentos de massa motivados pela infiltração de água, podendo ser potenciados pela remoção do coberto vegetal na sequencia de incêndios rurais;
  4. Contaminação de fontes de água potável por inertes resultantes de incêndios rurais;

Medidas de Auto-Protecção

O Serviço Municipal de Protecção Civil da Câmara Municipal recomenda à população a tomada das necessárias medidas de precaução e especial atenção:

Inundações em zonas urbanas, causadas por acumulação de águas pluviais

No inicio do Outono, as quantidades de lixo depositado nas embocaduras dos sistemas de aguas pluviais, a obstrução originada pela queda de folhas de árvores e os detritos vegetais juntamente com outros materiais inertes que durante a estação seca se depositaram ao longo das valetas das vias de comunicação, contribuem para situações de obstrução dos canais de escoamento.

As primeiras chuvas de Outono são geralmente responsáveis pelo arrastamento e concentrações destes resíduos sólidos em locais inadequados (sarjetas, sumidouros, valetas) originando acumulações de águas pluviais que poderão provocar cortes de vias de comunicação ou mesmo inundações nos pisos mais baixos de edifícios.

Cheias motivadas pelo transbordo do leito de alguns rios

O arrastamento e deposição de materiais sólidos pelos cursos de água, pode contribuir significativamente para o acréscimo dos efeitos das cheias. Outros condicionantes, como a falta de obstáculos à progressão da água nas bacias drenantes e a incapacidade de retenção da precipitação no coberto vegetal (como consequência de áreas ardidas) assim como a diminuição da capacidade de vazão das linhas de água e da capacidade de armazenamento nas albufeiras devido ao arrastamento de sólidos (por erosão) desde as bacias até à linha de água, são factores associados às inundações por cheias.

Neste contexto, recomenda-se a adopção, entre outras, das seguintes medidas de precaução:

  • Desobstrução de linhas de agua principalmente junto a pontes, aquedutos e outros estrangulamentos do escoamento;
  • Limpeza de linhas de água assoreadas;
  • Limpeza dos resíduos urbanos (muitos deles de grandes dimensões) depositados nos troços marginais dos cursos de agua;
  • Evitar cortes rasos de material lenhoso ardido em situações de declive intenso, localizados nas proximidades das linhas de água;
  • Recolha ou trituração dos resíduos de actividades agrícolas e florestais existentes nas margens das linhas de água;
  • Verificação (e eventual reparação) de eventuais situações de desmoronamentos das margens das linhas de água, de modo a evitar obstruções ou estrangulamentos;
  • Inspecção visual de diques, ou outros aterros longitudinais às linhas de água, destinados a resguardar os terrenos marginais;
  • Identificação de novos "pontos críticos" (aglomerados populacionais, edificações, vias de comunicação, pontes/pontões, etc).

Instabilização de taludes ou movimentos de massa motivados pela infiltração de água, podendo ser potenciados pela remoção do coberto vegetal na sequência de incêndios rurais

A precipitação pode aumentar a instabilidade de solos e rochas em vertentes. O aumento da instabilidade dessas vertentes, em especial junto de aglomerados populacionais, vias rodoviárias e ferroviárias, deve ser observado como medida preventiva de acidentes causados por movimentos de massa (deslizamentos, desabamentos, e outros).

As principais observações que devem ser feitas, em especial em taludes de maior inclinação (onde mais abruptamente pode ocorrer a rotura) são as seguintes:

  • Em taludes rochosos em que pode haver desmoronamento ou tombamento de blocos de rocha, deve observar-se o normal funcionamento das estruturas de escoamento (filtros, protecção de filtros, furos de alivio de pressão de água, etc) e as estruturas de suporte para a estabilização de taludes (cortinas de cimento, gabiões de protecção, redes de protecção, etc)
  • Em aterros e taludes de terra, devem observar-se possíveis deformações (abertura de fendas que significam arrastamento de material), bem como assentamentos devido às variações do nível da água nos terrenos.

A ocorrência de incêndios florestais pode reduzir o coberto vegetal, potenciando os movimentos de massa, causados por erosão intensificada e por alterações nas características das rochas face à exposição às temperaturas elevadas. Torna-se, assim, necessária especial atenção a grandes blocos rochosos com sinais de exposição ao fogo e em posição instável.

Sempre que as observações feitas suscitem duvidas, devem ser comunicadas ao Serviço Municipal de Protecção Civil, de forma a serem desencadeadas formas de medição de parâmetros e de monitorização dos fenómenos de instabilidade.

Contaminação de fontes de água potável por inertes resultantes de incêndios rurais

A ocorrência de incêndios florestais na proximidade de captações de água para consumo humano, pode ocasionar a contaminação da água por inertes, em consequência da destruição do coberto vegetal. A infiltração de aguas pluviais contaminadas torna, assim, recomendável a monitorização da qualidade da agua, de modo a garantir um abastecimento às populações de acordo com os exigíveis parâmetros de qualidade e segurança.

Município de Arcos de Valdevez
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