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“Parto” – filme de António Correia foi realizado em Arcos de Valdevez

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19 Maio 2010

Acabaram no passado domingo, dia 16 de Maio, as filmagens da longa-metragem "Parto". Um filme produzido em Arcos de Valdevez, com personagens locais e realizado por António Correia.

A ideia de António Correia realizar em terras arcuenses uma longa-metragem surgiu aquando das gravações da telenovela "Deixa que te Leve", da qual foi também realizador, por intermédio de dois habitantes locais que lhe mostraram vários sítios do concelho que lhe despertaram interesse, casos de Cabreiro ou Lordelo. Conforme explicou, "um dia fomos à Carvalheda e nessa viagem percebi que já tinha o filme porque só lá viviam duas pessoas! Intrigou-me o facto de viverem pessoas isoladas em locais de difícil acesso aos quais apenas se consegue chegar a pé ou em veículo todo-o-terreno." Então pensei: Como é que é possível viver assim? E surgiu-me logo a ideia de fazer o filme".

Com personagens locais o realizador pretendeu trazer para a história aspectos reais de cada um - " a preparação do filme tem mais de um ano e de que cada vez que fazia uma visita aos locais de filmagens levava o Raúl, o Carlos e o Olegário para perceber que características é que eles podiam dar ao filme. Que aspectos das suas vidas reais é que poderiam ser adaptadas."

Em relação ao motivo que o leva a requisitar pessoas sem formação ao nível da representação para os seus filmes, António Correia adiantou que se prende com o conceito das últimas produções que tem feito. "Tenho feito a fusão entre a escrita, que é ficção, cenas que são inventadas, e actores que não são actores, mas pessoas que estão a representar o seu próprio papel, porque têm que me dar o lado mais genuíno e mais verdadeiro daquilo que é pretendido. Invento uma história dentro das suas realidades. Não lhes peço mais nada além disso. Quero sentir a verdade e o lado genuíno destas pessoas."

Olegário Gonçalves, Raul Sá e Carlos Dias são três dos principais intervenientes nesta trama que tem a ver com a desertificação e com o afastamento, intencional, do rebuliço das urbes, algo que intrigou o realizador: "Como é que é ainda há tanta gente isolada, com muita dificuldade em termos de acesso aos serviços, à saúde, aos transportes e ao comércio?".

O nome Parto, segundo o realizador, vem de "parto de partir e parto de parir", no entanto encerra também uma analogia com as Mamoas do Mezio. Um local de filmagens indicado por Nuno Soares, Arqueólogo municipal, e também ele personagem do filme. Porque o desenho das Mamoas tem a forma uterina, servindo simultaneamente como local de enterramento e símbolo de renascimento para uma nova vida extra terrena, "foi um local excelente para a rodagem, pois liga-se à mensagem que queremos passar", explicou.

Este projecto, apoiado integralmente pelo município arcuense como projecto de relevância cultural, vai ser inscrito em cerca de 40 festivais internacionais de cinema, entre os quais estão o Indian Lisboa, o Festival de Documentários de Marselha, bem como festivais no México, Brasil e Espanha.

António Correia augura algo de muito bom para esta realização e adoraria que ela estreasse comercialmente; "Tenho um pressentimento de que este filme vai mexer alguma coisa, mas não quero ficar optimista de mais", disse. Uma primeira versão será apresentada no âmbito das comemorações do Dia do Concelho 2010, que terão lugar a 11 de Julho. Uma montagem " não finalizada; um trabalho de pós-produção ainda longe da sua versão final", que surgirá somente nos inícios do próximo ano.

Município de Arcos de Valdevez
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