Passar para o Conteúdo Principal
Facebook Instagram Twitter Youtube Linkedin RSS
Logotipo CM Arcos de Valdevez

5 - Casa da Ponte

Casa da ponte 1 970 2500 1 970 2500

Designação: Casa da Ponte
Categoria / Tipologia: Arquitectura Civil / Casa
Divisão Administrativa: Viana do Castelo / Arcos de Valdevez / Arcos de Valdevez (São Salvador), Vila Fonche e Parada
Endereço / Local: Rua de São João de Deus, Arcos de Valdevez
Situação Actual: Classificado
Categoria de Protecção: Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público
Cronologia: Decreto n.º 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978 (ver Decreto)
Nota Histórico-Artistica: A sua designação justifica-se pela proximidade da ponte que liga as duas margens do rio Vez, e as duas freguesias de Arcos - São Salvador e São Paio. A edificação deste imóvel remonta ao último quartel do século XVIII, e deve-se a Agostinho António de Araújo, mas as obras prolongaram-se pelo início da centúria seguinte, tendo sido concluídas por sua mulher, D. Joana Maria de Azevedo Sá Coutinho.
A expressão arquitectónica da Casa da Ponte permite inscrevê-la no modelo mais comum das habitações nortenhas do século XVIII, constituindo assim um exemplo da denominada casa caracteristicamente portuguesa, implantada em ambiente urbano (AZEVEDO, 1969, pp. 66-67).
À semelhança do que acontece na arquitectura civil setecentista, a fachada é o elemento que mais se destaca, desenvolvendo-se em comprimento e concentrando em si toda a decoração que, no caso deste imóvel, é bastante contida. Nota-se uma procura pela estabilidade, própria dos arquitectos portugueses que, ao contrário de outros exemplos europeus, não privilegiaram o dinamismo planimétrico nem a ondulação dos alçados, embora tenham perseguido uma ideia de movimento através da sequência rítmica da abertura de vãos, e da divisão da fachada por pilastras (AZEVEDO, 1969, p. 71). Na Casa da Ponte, as pilastras definem três corpos e acentuam a verticalidade do conjunto, embora o friso que separa os dois andares dilua esta tendência. Naturalmente, o piso nobre denota um maior requinte na execução das molduras das janelas, com lintel curvo.
Este ritmo converge, ao centro, no portal principal, sobre o qual se abre uma janela de sacada encimada pelo brasão da família - esquartelado e com as armas dos Araújo, Amorim, Azevedo e Coutinho -, aí colocado em data próxima de 1800 ou 1803 (SILVA, 1992, p. 62). Este, interrompe a cornija, formando uma espécie de frontão contracurvado, o que imprime ainda maior destaque ao símbolo heráldico dos proprietários do imóvel.
O interior da Casa da Ponte foi objecto de várias intervenções, a primeira das quais da responsabilidade de Luís Maria Cardoso de Araújo e Azevedo, ainda durante o século XIX, que lhe acrescentou um andar, bem visível na fachada lateral. Há notícia de uma nova campanha de obras já no século XX. Em consequência destas remodelações, a estrutura arquitectónica mantém as suas características barrocas, mas a decoração dos diferentes salões é já neoclássica. Assim, na entrada, encontramos a escadaria setecentista, que nos solares urbanos era necessariamente interna, devido a constrangimentos de espaço. Os seus dois lanços, protegidos por balaustrada, permitem o acesso ao piso superior. Aí, ganha especial interesse o oratório dedicado a Nossa Senhora das Dores, mencionado num inquérito paroquial de 1845 como bem ornado e decente, e onde se conserva o retábulo de talha dourada. Dos restantes 13 salões, destaca-se o azul e o da música, pelos tectos em masseira e pelo papel de parede com motivos florais.
Por outro lado, e apesar da sua depuração, a Casa da Ponte não deixa de se impor na malha urbana de Arcos pelas dimensões, e pela cenografia, que a destaca das restantes arquitecturas que se encontram adossadas, e onde o elemento heráldico se reveste de especial significado, enquanto símbolo de poder, prestígio e superioridade dos seus proprietários. Na realidade, a família habitou, no século XVII, uma outra casa, a denominada Casa do Rio, bem mais modesta, e que hoje se encontra bastante arruinada. A mudança para a Casa da Ponte e a posterior inclusão do brasão na fachada revela "um claro processo de ascensão sócio-económica" (SILVA, 1992, p. 35 e 54).

Latitude: 41.843797805845206

Longitude: -8.416759818792343

Top